terça-feira, 9 de outubro de 2012

O NÓ DO AFETO...




Em uma reunião de pais, numa escola da periferia, a diretora ressaltava o apoio que

os pais devem dar aos filhos; pedia-lhes também que se fizessem presentes o


máximo de tempo possível…

Ela entendia que, embora a maioria ...dos pais e mães daquela comunidade

trabalhassem fora, deveriam achar um tempinho para se dedicar e entender as crianças.

Mas a diretora ficou muito surpresa quando um pai se levantou e explicou, com seu

jeito humilde, que ele não tinha tempo de falar com o filho, nem de vê-lo, durante a

semana, porque, quando ele saía para trabalhar, era muito cedo, e o filho ainda

estava dormindo…Quando voltava do serviço, já era muito tarde, e o garoto não

estava mais acordado.

Explicou, ainda, que tinha de trabalhar assim para prover o sustento da família, mas

também contou que isso o deixava angustiado por não ter tempo para o filho e que

tentava se redimir, indo beijá-lo todas as noites quando chegava em casa. E, para

que o filho soubesse da sua presença, ele dava um nó na ponta do lençol que o

cobria. Isso acontecia religiosamente todas as noites quando ia beijá-lo. Quando o

filho acordava e via o nó, sabia, através dele, que o pai tinha estado ali e o havia beijado.

O nó era o meio de comunicação entre eles.

A diretora emocionou-se com aquela singela história e ficou surpresa quando

constatou que o filho desse pai era um dos melhores alunos da escola.

O fato nos faz refletir sobre as muitas maneiras de as pessoas se fazerem presentes,

de se comunicarem com os outros. Aquele pai encontrou a sua, que era simples, mas

eficiente. E o mais importante é que o filho percebia, através do nó afetivo, o que o

pai estava lhe dizendo.

Por vezes, nos importamos tanto com a forma de dizer as coisas e esquecemos o

principal, que é a comunicação através do sentimento; simples gestos como um beijo

e um nó na ponta do lençol, valiam, para aquele filho, muito mais do que presentes

ou desculpas vazias. É válido que nos preocupemos com as pessoas, mas é

importante que elas saibam, que elas sintam isso.

Para que haja a comunicação é preciso que as pessoas “ouçam” a linguagem do

nosso coração, pois, em matéria de afeto, os sentimentos sempre falam mais alto

que as palavras.

É por essa razão que um beijo, revestido do mais puro afeto, cura a dor de cabeça,

o arranhão no joelho, o medo do escuro.

As pessoas podem não entender o significado de muitas palavras, mas sabem

registrar um gesto de amor. Mesmo que esse gesto seja apenas um nó…

Um nó cheio de afeto e carinho.

E você, já deu algum nó afetivo hoje?







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