terça-feira, 4 de setembro de 2012

Pássaro

Ele foi passado de uma ave para outra,
o presente todo o dia.
O dia foi de flauta para flauta,
fui vestida de vegetação,
em voos que abriu um túnel
através do vento que passa
para onde os pássaros estavam quebrando abertos
o ar denso azul-
e lá, veio a noite.

Quando voltei de tantas jornadas,
Fiquei suspenso e verde
entre o sol e Geografia-
Eu vi como asas trabalharam,
como os perfumes são transmitidos
por telégrafo de penas,
e de cima vi o caminho,
as molas e as telhas do telhado,
os pescadores em seus comércios,
as calças da espuma;
Eu vi tudo a partir de meu céu verde.
Eu não tinha nenhum alfabeto mais
do que as andorinhas nos seus cursos,
a água de minúscula, brilhante
do pequeno pássaro fogo
que dança fora o pólen.
Pablo Neruda


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